Somatizações, Histeria e Transtorno Dissossiativo e Conversivo
Atualizado: 18 de ago. de 2022

O que era chamado antes de "Histeria" vem sendo estudado há muitos anos, desde a Grécia Antiga tanto pela medicina, quanto pela neurologia, psiquiatria, psicologia, psicanálise e por padres da Igreja Católica. Já foi chamada de neurose histérica ou histeria de conversão, e hoje é conhecida como Transtorno dissociativo ou conversivo. No sec. XIX, serviu de base para que S. Freud, a partir dos estudos de casos, com a postulação de seus estudos sobre o inconsciente e a elaboração da teoria e técnica da Psicanálise, foi desenvolvido o tratamento que vem sendo utilizado em pacientes que apresentam sintomas dessa ordem. O termo "histeria" vem do grego hystera = útero, matriz. Hipócrates a considerava um problema orgânico de origem uterina, portanto, afetava somente as mulheres. Segundo ele, o desenvolvimento da doença se dava por privação sexual, o que dessecava o útero, que passava a percorrer o corpo em busca da umidade que necessitava. Por isso a mulher tinha falta de ar, convulsionava devido ao movimento do útero pelos órgãos. Durante a Idade Média, a histeria passou a ter um cunho religioso. Dizia-se que a mulher estava sobre possessão do demônio. Durante o período da Santa Inquisição, muitas mulheres foram condenadas à fogueira por isso. Passaram-se os anos, a histeria deixou de ser um objeto de estudos da Igreja e voltou às mãos da ciência. Muitos teóricos se debruçaram na compreensão, mas foi somente no sec. XIX a partir dos estudos sobre a hipnose, iniciada pelo médico escocês James Braid e desenvolvidos por Jean-Marin Charcot é que a histeria passou a ser tratada como uma neurose de base funcional, de origem hereditária que afeta tanto mulheres quanto homens. Foi a partir das descobertas de Charcot que o médico Sigmund Freud, durante os anos de 1888 a 1893, desenvolveu a Teoria da Sedução, compreendendo à princípio a causa da doença em um trauma oriundo de um abuso sexual vivido pelo paciente na infância. Posteriormente, Freud postula a noção de fantasia, abrindo mão da Teoria da Sedução. Foi durante esses estudos que Freud veio a descobrir o inconsciente. A partir do inicio do sec XX, a palavra histeria caiu em desuso na medicina, sendo identificada como um elemento da psicanálise. Atualmente, no Manual de Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10, a histeria se encaixa na categoria de transtornos neuróticos, relacionados ao estresse e somatoformes. É uma subcategoria dos Transtornos dissociativos ou conversivos. Os sintomas são dificuldade de assimilação entre memória do passado, identidade e sensações, controle dos movimentos mecânicos, amnésia, transtornos de transe e possessão, convulsões, perda sensorial, transtorno de somartização, entre outros.
Somatizações são distúrbios corporais causados como expressão da neurose, caracterizados por queixas físicas sem uma causa orgânica, preocupação excessiva com os sintomas, hipocondria. Os principais fatores que contribuem para ao desenvolvimento da doença são estresse, ansiedade, e podem se desenvolver em doenças psicossomáticas, como asma, úlcera, gastrite, lúpus, fibromialgia. Em todos os casos é indicado uma avaliação psicológica para identificar a origem e as causas do transtorno, incorrer em tratamento, verificar a necessidade de tratamento psiquiátrico por meio de medicamentos e acompanhamento psicoterápico com psicólogo.
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